A vida de ciclista

Um dia vou escrever sobre essa vida de morar sozinho, mas o que importa é que estou morando sozinho há uns meses. Como é mais perto do trabalho, dá pra ir de bicicleta, e como eu precisava voltar a fazer algum exercício na vida, comprei uma bike e resolvi me colocar pra andar.

Quem já andou de bicicleta no Rio, ou sequer tentou, tem idéia de que é um meio de transporte abandonado pelo governo e mal visto por muitos motoristas, que veem qualquer transporte de duas rodas como um estorvo. Saiu, inclusive, uma reportagem na Veja Rio há um tempo atrás sobre isso.

Mas não tem como ter muita noção até você experimentar andar de fato por aqui. Em primeiro lugar, não é todo lugar que tem ciclovia. Depois, as que tem, ou são mal conservadas, ou mal planejadas, ou ambos. Em botafogo, na rua Mena Barreto, a ciclovia alterna entre os dois lados da calçada sem motivo aparente, na calçada as árvores cortam a ciclovia no meio, e onde suas raízes aumentaram nos últimos anos, fendas e desníveis abriram.

Em segundo, mesmo onde é notadamente uma ciclovia, não há garantia de conseguir o espaço para a bicicleta. Pedestres andam destraídos, sem notar o que acontece ao redor. Eu mesmo devo ter feito isso inúmeras vezes. E como a ciclovia é muitas vezes estreita, por causa de árvores ou outros problemas, nem sempre dá pra um pedestre desviar pra bicicleta passar, então resta esperar atrás ou ir para o cantinho das ruas.

Há lugares, inclusive, onde há uma ciclovia E uma calçada (como é o caso da orla, por exemplo), e as pessoas resolvem andar na ciclovia mesmo sem estarem se exercitando, só por preferência. Claro que se o cara está correndo, é muito melhor o asfalto que a pedra portuguesa. Mas passeando do trabalho pra almoçar? Sem necessidade.

E aí tem as ruas, obviamente não muito seguro, por causa dos carros e ônibus, mas com um problema adicional: os cantos das ruas não são exatamente planos, as tampas daqueles bueiros de canto da rua tem buracos paralelos a rua, e dá um certo medo de se um deles estiver quebrado prender a roda, e também há buracos, o que no canto da rua, perto dos carros, dá um certo medo.

O problema dos pedestres achei que fosse ser resolvido quando eu comprasse uma buzina, mas ela é sumariamente ignorada por várias pessoas, estou pensando em comprar uma buzina eletrônica com barulho de caminhão pra ver se melhora :)

Mas os prós compensam os contras: A vista do Rio é foda, em ambos os caminhos, tanto pela orla quanto pela lagoa. Nada como ver essa vista muito legal antes de ir pro trabalho, chega com um gás completamente diferente :)

E com isso eu também ando ouvindo várias coisas novas. Achei um programa de rádio/podcast que comecei a ouvir, o máquina do tempo. Que infelizmente está desativado, no momento, mas que tem um acervo bem razoável programas já existentes.

Além disso, estou ouvindo também o Ronca Ronca, que passa toda terça feira mas tem versão online no site da oifm.

E enquanto isso, venho ouvindo gente dizendo que perdi peso, o esforço tá fazendo efeito :)

4 thoughts on “A vida de ciclista”

  1. piii
    alo alo senhores aviadores que cruzam os céus do Brasil!
    queria andar de bicicleta tmb, mas chegar no fundão é praticamente impossível assim.
    e ciclovia não tem jeito, é sempre mal feito e quase sempre mal planejado e serve só pra dizer q fez alguma coisa.

  2. Aqui em Paris a prefeitura aconselha que você não ande de bicicleta ouvindo música, segundo eles distrai das coisas acontecendo ao seu redor.

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