O Futuro das Memórias

Você e eu vemos muita coisa todos os dias. Mas que efeito terá isso na nossa memória?

Há estudos por aí mostrando que a geração internet tem um problema de memória, como a informação está a um clique de distância, é fácil não se forçar a lembrar alguma coisa e simplesmente voltar a ela quando necessário.

Mas falo de algo ainda mais preocupante. O volume de informação é enorme, a cada dia vemos mais vídeos, ouvimos mais músicas, lemos notícias, livros, conversamos no almoço e aprendemos uma coisa nova antes de dormir. Nosso cérebro, ao que parece, deve ter uma capacidade limitada de reter informações, podemos ver isso quando lembramos com dificuldade de coisas que aconteceram na nossa infância. Ao conversar com nossos pais e nossos avós, muitos lembra de fatos, mas esqueceram de pequenos detalhes. O nome da segunda namorada, talvez lembre do rosto, mas não como se conheceram; lembra que ficaram juntos algum tempo, talvez 2 anos, ou seriam 3? E no fim, dizem que foi bom, mas que acabaram deixando pra lá, afinal, velhos amores são esquecidos para dar lugar aos novos.

Acredito que se investigado a fundo, poderíamos ver o mesmo padrão se repetindo, quem se lembra de todos os filmes que já viu? E os livros que já leu? As fotos nos ajudam a lembrar de experiências, os cheiros por vezes nos fazem voltar a infância.

Cheiro de casa de vó, cheiro de bolo do lanche da tarde, cheiro da grama do colégio, ou das plantas na casa da tia.

Mas e se em um dado momento, o espaço do seu cérebro acabar? O que será que ele escolherá pra apagar primeiro? Aquele livro de Nietzsche que você leu, o filme do Scorcese ou o cheiro da casa da sua avó?

Será que estamos caminhando pra um ponto onde nos esqueceremos de memórias queridas, mas das quais nos recordamos com pouca frequência?

O que será do futuro das nossas memórias?

3 thoughts on “O Futuro das Memórias”

  1. Assim como há estudos dizendo que a Internet é um problema para a memória, há outros em que mostra que na verdade o que está acontecendo é uma adaptação do cérebro com relação a armazenar alguns detalhes.

    O nome daquele ator do filme, que você tinha que decorar sempre, está agora a um passo de distância, na internet. Esse “slot” que ficaria ocupado com o nome do ator, pode ser ocupado com outra coisa mais importante. Ainda mais assumindo que a memória é finita.

  2. Mas respondendo sua pergunta com o meu achismo:

    No futuro, armazenaremos basicamente grandes informações no geral e links para onde encontrar mais detalhes. Saberemos(??) o que é uma integral de linha, mas para resolver com detalhes, precisaremos recorrer à internet ou livros. E aí o cérebro guardará a noção a grosso modo e o link “Procurar no Stewart” ou “Procurar no Wolphram Alpha”.

    Vale notar que a idéia do link já existe hoje e existia antes. Só que como o volume de informações será maior, teremos mais “links” e menos informações detalhadas.

    Bem… apenas o achismo de um leigo. =)

  3. Putz, nem fala, cara… e o medo que me dá disso? Olha que não sou uma pessoa muito dada a nostalgias, não guardo fotos, não ligo pra tirar fotos, não sou de ficar me prendendo ao passado, mas pensar que as minhas memórias podem começar a sumir, isso me assusta muito.

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