Tratado antropológico dos Memes

Se tem uma coisa que a internet dá para a humanidade é a possibilidade de qualquer um escrever sobre qualquer coisa que lhe vem à cabeça. Isso pode ser ruim, às vezes, mas no geral significa que você pode escrever sobre um assunto que você não tem domínio algum. Provavelmente existem pessoas nesse momento fazendo estudos profundos para uma tese de mestrado ou doutorado, e enquanto isso cá estou eu despejando linhas a meu bel prazer :)

No princípio fazíamos desenhos rudimentares nas paredes das cavernas, representando nosso dia-a-dia. Depois, conforme a arte evoluiu, as pinturas se tornaram mais rebuscadas, e embora ainda fizessemos nossos desenhos em cavernas, agora já em cadernos, ficavam restritos a certos círculos, sem ganhar notoriedade. Somente grandes artistas, com exposições em galerias chegavam e comunicar alguma coisa com seus desenhos.

E aí vieram os memes. Não os grandes memes, como o Star Wars Kid, mas os desenhos: Trollface, Forever Alone, e hoje em dia os memes são dezenas, talvez centenas. Sites como Ragemaker e Mememaker deixam que em alguns minutos uma idéía seja transformada num desenho que a maioria vá entender, e talvez seja propagado internet afora sem o seu controle.

E isso poderia ser dito sobre tweets e textos e outras mídias, mas o que acho curioso sobre os memes é que eles necessitam de pouca habilidade e podem ser somente um despejo de alguma situação da sua cabeça para uma imagem.

Enfim, divago.

0 Comments : Posted in: Random Thoughts : 09.15.11

O Futuro das Memórias

Você e eu vemos muita coisa todos os dias. Mas que efeito terá isso na nossa memória?

Há estudos por aí mostrando que a geração internet tem um problema de memória, como a informação está a um clique de distância, é fácil não se forçar a lembrar alguma coisa e simplesmente voltar a ela quando necessário.

Mas falo de algo ainda mais preocupante. O volume de informação é enorme, a cada dia vemos mais vídeos, ouvimos mais músicas, lemos notícias, livros, conversamos no almoço e aprendemos uma coisa nova antes de dormir. Nosso cérebro, ao que parece, deve ter uma capacidade limitada de reter informações, podemos ver isso quando lembramos com dificuldade de coisas que aconteceram na nossa infância. Ao conversar com nossos pais e nossos avós, muitos lembra de fatos, mas esqueceram de pequenos detalhes. O nome da segunda namorada, talvez lembre do rosto, mas não como se conheceram; lembra que ficaram juntos algum tempo, talvez 2 anos, ou seriam 3? E no fim, dizem que foi bom, mas que acabaram deixando pra lá, afinal, velhos amores são esquecidos para dar lugar aos novos.

Acredito que se investigado a fundo, poderíamos ver o mesmo padrão se repetindo, quem se lembra de todos os filmes que já viu? E os livros que já leu? As fotos nos ajudam a lembrar de experiências, os cheiros por vezes nos fazem voltar a infância.

Cheiro de casa de vó, cheiro de bolo do lanche da tarde, cheiro da grama do colégio, ou das plantas na casa da tia.

Mas e se em um dado momento, o espaço do seu cérebro acabar? O que será que ele escolherá pra apagar primeiro? Aquele livro de Nietzsche que você leu, o filme do Scorcese ou o cheiro da casa da sua avó?

Será que estamos caminhando pra um ponto onde nos esqueceremos de memórias queridas, mas das quais nos recordamos com pouca frequência?

O que será do futuro das nossas memórias?

3 Comments : Posted in: Random Thoughts : 09.10.11