O (Quase) fim de uma era

Fiz vestibular em 2004. A princípio, não achava que fosse entrar. Levei o ano todo num estudo meio largado, sem muito afinco. Na reta final, dei um gás enorme, projetos de pré-vestibular, daqueles que você fica o dia todo vendo conteúdo condensado, resolução de provas, e tudo mais que deu pra fazer.

Em 2005, veio o resultado, e eu tinha entrado, reclassificado, para a UERJ. Ora, como eu disse, um estudo meio largado, né? Pois é, nunca cheguei a pensar muito pra onde queria ir, mas tinha dois grandes amigos que também estavam fazendo vestibular pra computação e o consenso era de que a UFRJ era a melhor, junto com a PUC. Como minhas condições financeiras não permitiam PUC, fiquei com a UFRJ na cabeça. Assim, meio sem querer.

Quando entrei pra UERJ, fiquei meio triste e decepcionado. Resolvi que iria, então, refazer o vestibular, dessa vez, com o devido afinco. Mas o coordenador do pré, com quem fui conversar, me disse que seria chamado na reclassificação do meio do ano. Não levei fé. Mas as palavras foram bem ditas, e no meio do ano, primeira reclassificação depois do primeiro período, fui chamado.

Larguei a UERJ sem titubear e entrei na UFRJ. Fundão. Lembro claramente dos primeiros dias, a primeira vez que vi o bloco F do CCMN, onde tive a maioria das minhas aulas ao longo da faculdade. E nos primeiros períodos eu reclamava do 663, o ônibus que faz o trajeto méier-fundão, sem horário certo, com enormes atrasos e um caminho horrível.

Depois, comecei a dar monitoria de Comp1. E conheci muitos outros amigos aí. Fui em choppadas com os meus, na época, alunos e me diverti horrores. Vivia numa dieta horrível de salgados e hambúrgueres.

Em 2007 aconteceram as minhas primeiras mudanças pós-faculdade. Comecei a estagiar, comecei a beber sem ser só aquele golinho junto com os pais. Com isso, durante a maior parte da faculdade, levei uma rotina meio pesada de casa-faculdade-trabalho-casa, que sejamos sinceros, é extremamente desgastante.

Num dos estágios, acompanhado de três grandes amigos, mudei bastante minha postura: comecei a malhar, reduzi as besteiras do dia-a-dia, nadava. Depois disso descobri que exercício pode ser meio viciante, e acabei por emendar um no outro, parei a natação mas comecei a dança, e num período cheguei até ao extremo de fazer dança quase todos os dias da semana, mais de uma vez por dia.

No meio de 2009 eu entrei para o LCI. E conheci novos amigos, me aproximei de outros. E passou a ser um lugar em que eu gostava de estar, mesmo com todo o trabalho. Vira-e-mexe me via aparecendo por lá sem motivo, só pra ver como estavam as coisas.

Ao fim de 2009, parte da minha turma conseguiu o feito de se formar no tempo certo. Eu fiquei com uma certa invejinha. Tivesse me empenhado mais, conseguiria me formar junto com eles. Mas não foi o caso, vida que segue. Resolvi mudar de novo, achei um estágio dentro do fundão e resolvi me empenhar ao máximo. Tinha, ainda, 11 matérias pela frente. Mas depois de muito esforço e muito suor, consegui terminar as últimas 5 no do último período.

Nessa última segunda feira estive no fundão pela última vez para fins de trabalho. Ainda volto lá pra apresentar o projeto final, e resolver uma ou outra coisa, eventualmente, mas me desliguei do LCI e do estágio, e enquanto ia indo para o ponto, pegar o ônibus pra voltar pra casa, senti como se estivesse fechando um capítulo e abrindo um novo. Encerrando uma era de seis anos de fundão.

Sensação boa, essa de novos ares. Mas a nostalgia sempre me alcança nessas horas. E aí dá uma saudadinha de estar reclamando do 663 e estudando Criptografia :)

7 thoughts on “O (Quase) fim de uma era”

  1. É Lond. Também sinto algo parecido. Minha era na Ciência da Computação tá acabando. =)

    Só não digo que é meu fim no Fundão porque to emendando o mestrado. Será que algum dia me livro da UFRJ? =P

  2. É meu amigo. Lembro dos anos de vestibular. Lembro de quando todos nós passamos juntos para nossas respectivas federais. Uma página que viramos e outra que iniciamos. E um após o outro vamos nos formando… eu, Nat agora você e em breve o trevinhas. E agora você estará em um outro momento da vida com outros planos e terá SEMPRE uma blea lembrança do quanto o fundão com todos os problemas que uma faculdade pública tem foi vital para o profissional que é agora.

    Como seu amigo te desejo sempre a maior felicidade do mundo, pois confio, acredito e sei do seu potencial e da sua paixão pela área que escolheu. Tenho certeza que os projetos futuros serão de igual proveito. Agora é entrar no mercado, conquistar seu lugar e partir para um outro nível de estudo em pós-graduação. E tenho certeza que cada página futura será tão vitoriosa quanto esta que você encerra hoje!

    adelante, meu amigo!
    “levanta-te homem de armas, pois nascestes para ser grande!”

    e lembre-se da nossa adolescência e cante baixinho e com alegre sorrir essa musiquinha aqui…

    “A Estrada em frente vai seguindo

    Deixando a porta onde começa.

    Agora longe já vai indo,

    Devo seguir, nada me impeça;

    Em seu encalço vão meus pés,

    Até a junção com a grande estrada,

    De muitas sendas através.

    Que vem depois? Não sei mais nada.”

  3. Esse seu post sobre final e começo me lembrou muito quando decidi que não queria fazer doutorado na UFRJ. Depois de 8 anos por lá sentia que não havia muito mais a obter e que eu precisava de um novo lugar e novas pessoas. Assim decidi que ia fazer Bioinfo, na USP ou na UFMG. Mesmo tendo sido uma decisão pensada no meu primeiro dia de aula e laboratório na UFMG eu senti uma saudade dos corredores do CCMN, dos amigos e das coisas que vivi por lá e, até hoje, quando visito o LCI, a secretaria ou a sala do JC, me sinto como se tivesse em casa. Mas no final das contas o que aconteceu é que eu tenho duas casas, hoje igualmente amadas. :)

  4. Eu me senti bastante identificado com o seu texto também, Lond. Eu também passei pra UERJ antes de entrar na UFRJ e joguei pro alto, exatamente pelo mesmo motivo, só o timing que foi diferente do seu, eu passei só pra UERJ pra entrar lá em 2004 mas optei por fazer vestibular de novo pra entrar na UFRJ em 2005. Não tenho uma gota de arrependimento.

    Assim como o Bola, o fundão também ainda não acabou pra mim por causa de mestrado. Mas acaba em aproximadamente um ano, e eu já estou com essa sensação de “fim de um longo caminho”. Torçamos para que o futuro nos traga experiências pelo menos tão boas quanto a UFRJ proporciona/proporcionou, quiçá melhores.

    E parabéns por estar se formando. Quando você receber o diploma vai ver como é legal ficar lá parado na secretaria com cara de bobo alegre. =P

  5. Posso me gabar pros alunos mais novos que eu tive o prazer de compartilhar, mesmo que poucos, bons momentos no LCI com vossa senhoria. Um cara que, permeado por um mar de alunos na CC, se destaca com humildade e muito conhecimento.

    Que essa seja apenas a primeira de muitas conquistas na sua vida profissional e pessoal!

    Espero poder me lembrar da UFRJ da mesma maneira quando a minha vez chegar :D

    Parabéns, Lond!

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