Surreal

Hoje, voltando da faculdade, peguei um ônibus qualquer que estava cheio. Pois bem, num ponto, o motorista pede ao fiscal que ele peça ao ambulante que fica no ponto uma garrafa de água com gás, o fiscal então replica que o ambulante está sem água com gás, e os dois conversam sobre o fato de ele só beber água com gás e tudo o mais.

Uns dois pontos depois, o motorista pára o ônibus, desce e se dirige à um bar. Agora, não sei vocês, mas dado a cena que eu tinha presenciado há menos de 5 minutos antes, eu acredito que ele tenha ido comprar água, mais especificamente, com gás.

Olho a volta e noto uns estalares de língua, umas caras feias. Pouco depois, um cara comenta:  “Surreal.”, ao passo que outro responde: “Pois é, não é ele que tá em pé o dia inteiro!” Alguém ainda tenta: “O cara foi comprar água.” Mas o burburinho continua: “Foi pro bar? Inacreditável.”

Logo depois o motorista voltou e a viagem seguiu. Com as caras feias. Afinal, o motorista é um robô, obviamente. Ele não pode ter sentimentos, não pode saciar suas necessidades fisiológicas, e ai dele o dia que o cara tá de mau humor e reclama alguma coisa com alguém, ainda leva fama de motorista mau-humorado, se não pára fora do ponto ouve uns xingamentos, como se estivesse fazendo coisa errada. É por isso que o cara eventualmente vira um motorista “dumal”, passa a ignorar uns pontos, deixar passageiro no ponto.

Já dizia Raul:

O meu egoísmo
É tão egoísta
Que o auge do meu egoísmo
É querer ajudar

É o que eu penso.

Surreal.

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