Eu não acredito em traduções. Espere, não me entenda mal, tradução é uma coisa necessária. Mas não acredito que nenhuma tradução consiga ser suficientemente fiel ao original. Explico.
Acredito que sempre que você faça alguma coisa, você bote um pouco de você naquilo. Enquanto escrevo este texto, estou colocando aqui um pouco das minhas experiências passadas, um pouco do meu estado emocional enquanto escrevo, e os meus gostos e desgostos. Isso é óbvio, pode bradar daí: “Thank you, captain obvious!”. “Eu falaria”. :)
E como nós concordamos nesse ponto, uma tradução nada mais é do que uma interpretação de texto levado ao extremo. E com uma dificuldade. Palavras “intraduzíveis”. Veja aí, é fácil achar listas e mais listas. Aqui estão alguns exemplos. É claro que você pode transformar a palavra numa frase, expressão ou algo assim. Ou, num caso mais extremo, dar uma breve explicação, numa nota ou não, e em seguida continuar usando a palavra original. Mas impõe aí uma dificuldade.
A segunda dificuldade é referências. Tenho uma edição de Hamlet que tenta cobrir esse problema. São mais de 100 notas do tradutor, tentando notar todas as referências que podem ser perdidas no processo. Sejam elas porque são mais conhecidas no lugar em que o livro foi escrito, na época, ou mesmo por causa de jogos de palavras e coisas assim.
Não sou especialista em traduções e tudo que traduzi foi por conta própria, pra uso próprio, e sem teoria ou base. Acredito, sinceramente, que conforme o tempo passe e o tradutor fique mais experiente, que parte desses problemas fiquem menos evidentes. O cara consiga ficar mais neutro, e botar menos dele no texto, mantenha o texto mais próximo do original. Mas na dúvida? Sempre que possível, leio o original.
Tem tempo que não falo de um jogo em específico aqui, mas ontem esbarrei numa lista de jogos de PS2 que o autor chamou de a lista dos melhores jogos desconhecidos de PS2. Havia ali vários jogos que são de fato pouco conhecidos e notadamente bons, inclusive na abertura da lista o cara comenta que vários jogos que se tornaram conhecidos “recentemente” (a lista é de 2008) não entraram por isso, mas entrariam, e mais uma vez o cara acerta bem os jogos.
Aí lá no fim da lista, na categoria “outros” está Mister Mosquito.
Sabe, existem jogos estranhamente loucos nesse mundo. E algumas vezes, eles são muito bons. Vê aí a série Katamari. Se você não conhece, dê uma procurada, mas basta você saber que você tenha uma bola, e qualquer coisa que seja menor que ela gruda nela, e você tem que fazer as maiores bolas possíveis. As vezes com restrições.
E quando eu achei que os jogos Takahashi seriam os mais loucos que eu veria, entra Mister Mosquito.
Você pega o controverso papel de um.. adivinha.. Mosquito :P
Você controla um mosquito, no verão, em uma casa japonesa. Seu objetivo é estocar sangue pra sobreviver no inverno, e pra isso você tem que picar os membros da casa, em algumas missões. Além do objetivo principal, você também pode coletar corações que aumentam sua vida máxima, e também uns tanques extras para armazenar sangue.
Simples assim. O jogo tem um tom jocoso, fazendo certas piadas com o modo de vida japonês (por exemplo, a mãe da família preparando comida e fazendo como um ninja pra fatiar as coisas), mas ganha especialmente no quesito originalidade.
Quanto ao jogo em si? Não espere os melhores controles do mundo. Infelizmente, o controle deixa um pouco a desejar, em alguns momentos. Bem como a detecção de colisão, que as vezes foge um pouco do que gostaria. Mas nada que tire o brilho do jogo, que dá pra ter alguns bons momentos de diversão e que por mais simples que seja, prende bem a atenção :)
Recomendo que quem tiver de bobeira que pegue, vale a pena nem que seja pela experiência ;)
A lista, pra quem quiser dar uma olhada, está aqui: ?The Best Undiscovered Playstation 2 (PS2) Games
Aqui está um link pra um vídeo do gameplay: Mister Mosquito Gameplay Vid
Hoje, voltando da faculdade, peguei um ônibus qualquer que estava cheio. Pois bem, num ponto, o motorista pede ao fiscal que ele peça ao ambulante que fica no ponto uma garrafa de água com gás, o fiscal então replica que o ambulante está sem água com gás, e os dois conversam sobre o fato de ele só beber água com gás e tudo o mais.
Uns dois pontos depois, o motorista pára o ônibus, desce e se dirige à um bar. Agora, não sei vocês, mas dado a cena que eu tinha presenciado há menos de 5 minutos antes, eu acredito que ele tenha ido comprar água, mais especificamente, com gás.
Olho a volta e noto uns estalares de língua, umas caras feias. Pouco depois, um cara comenta: ”Surreal.”, ao passo que outro responde: “Pois é, não é ele que tá em pé o dia inteiro!” Alguém ainda tenta: “O cara foi comprar água.” Mas o burburinho continua: “Foi pro bar? Inacreditável.”
Logo depois o motorista voltou e a viagem seguiu. Com as caras feias. Afinal, o motorista é um robô, obviamente. Ele não pode ter sentimentos, não pode saciar suas necessidades fisiológicas, e ai dele o dia que o cara tá de mau humor e reclama alguma coisa com alguém, ainda leva fama de motorista mau-humorado, se não pára fora do ponto ouve uns xingamentos, como se estivesse fazendo coisa errada. É por isso que o cara eventualmente vira um motorista “dumal”, passa a ignorar uns pontos, deixar passageiro no ponto.
Já dizia Raul:
O meu egoísmo
É tão egoísta
Que o auge do meu egoísmo
É querer ajudar
É o que eu penso.
Surreal.
Estava eu lendo minhas coisas do reader, quando esbarrei com esse artigo do Kotaku: The Year I Gained The Courage To Ignore Video Game Music.
Comecei a ler concordando com o cara, e depois degringolou pra algo bizarro. Vamos lá.
O cara começa atacando pessoas que jogam DS ou PSP no metrô ou no ônibus e o fazem sem ouvir a música. OK. Isso é meio errado. Mas até aí, eu também fiz isso muitas vezes. Há situações em que jogar é possível, jogar ouvindo música, mesmo que num fone de ouvido, não dá. Mas ainda assim, sempre que estou numa situação dessas, é raro eu jogar algo que exija dedicação e atenção. Jogo coisas como Picross, que permitem a falta de som.
Aí ele cita o exemplo de GTA. E como ele deixa você mudar as rádios in-game, e o XBox que deixava você mudar as músicas pelas suas. Bom, no caso do GTA, a trilha não é inerente ao jogo. Ela não climatiza o jogo. Ela serve para que você tenha uma rádio pra ouvir durante o jogo. Isto não é verdade, por exemplo, em Shadow of The Colossus, ou Zelda, onde a música é para te inserir no contexto do momento. Imagine ouvir um podcast enquanto você joga, por exemplo, Alone in the Dark. Pronto, está destruída toda a imersão.
Ainda sou meio purista com música de jogos. Talvez porque ache que determinados jogos necessitem da sua atenção completa. Por exemplo, estava vendo Amnesia: The Dark Descent. O grande panz do jogo é o clima. A ambientação. Assim como é o caso de eternal darkness, de gamecube.
Há de se dar mute algumas vezes. Mas ouvir podcast enquanto joga? Sei lá. Pra mim já passou do ponto.