Um ensaio sobre as pessoas e a probabilidade

Não sou um especialista em estatística. Longe disso. Mas tenho certeza de que nada é 100% randômico. Mas pra algumas aplicações humanas, isso é realmente bom.

Existem os dois lados. Quer ver um exemplo?

Tenho certeza que você quer que o seu sorteio da Mega Sena seja o mais aleatório possível. Você quer que as chances de cair 1-2-3-4-5-6 sejam exatamente as mesmas de cair 1-33-42-47-52-58. E digo mais, se aquele jogador assíduo suspeitar de que não é assim, ele será o primeiro a pular e reclamar.

Mas isso traz um problema, e aí entra o outro lado. Seres humanos possuem memória. “Grande Descoberta!”, você pode dizer, mas isso introduz um real problema em alguma coisa ser completamente randômica. Porque coisas completamente randômicas podem se repetir várias vezes.

1 2 3 3 3 1 9 2 3 3 3 4 7 89 99 1 23 4 57 64 54 32 44 12 32 99 53 29 1 29 34 87 23

Então. Você acha que isso ali em cima é randômico ou que está viciado? ?? uma sequência randômica, mas por causa da nossa memória, parece pra nós que ela está viciada, por causa da ocorrência de números “3”. A verdade é que uma sequência randômica não precisa não ter números repetidos. Mas sim que quando você olhar a longo prazo, a ocorrência dos números seja basicamente a mesma. (Mas isso é quando você sortear 4 milhões de números e não sorteando 20)

O segundo problema é que humanos se incomodam com repetição quando acham que as coisas não deveriam repetir. Quer ver algo que provavelmente já aconteceu com você? Verdade ou Consequência. Você tá lá, reunido numa roda de amigos jogando Verdade ou Consequência do modo clássico, usando uma garrafa. Mas aí já caiu 10 vezes ao longo da brincadeira fulano pra siclano. Fulano já não sabe mais o que perguntar pra siclano. Beltrano tá de saco cheio porque não consegue perguntar/responder. E aí todo mundo decide brincar de alguma outra coisa.

Há um tempo eu tentei fazer um programinha pra fazer o sorteio das pessoas. E fazer uma pequena experiência, também.
No princípio, o programa só pegava duas diferentes de uma lista, completamente randômico. O resultado foi que as pessoas se incomodavam muito com o fato de algumas pessoas repetirem com frequência, assim como acontecia no modo clássico, como era o esperado.
Depois, numa versão posterior, eu evitava de acontecer só o caso em que uma pessoa respondia ou perguntava logo depois de ter respondido ou perguntava. Mas ainda assim, a frequência de repetição ainda era alta, e as pessoas se incomodavam muito rápido com isso.
A última versão diminuíu muito a insatisfação das pessoas, o que foi feito é que todas as pessoas perguntavam ao menos uma vez antes de alguém repetir. Muito tempo se passou antes que a repetição começasse a ser realmente incômoda.

Esse monte de falação é só pra dizer que completamente randômico não existe, e mesmo que existisse, as pessoas se incomodariam com ele em várias situações do dia-a-dia por causa a falsa sensação de repetição que algo realmente randômico passa.

Sobre a parte do não existir completamente randômico. Pelo menos não em computadores. Aquilo que fingi ser aleatório no seu computador é uma equação matemática. E como tal, você talvez se lembre de nunca ter visto uma função matemática que gere um número diferente sempre. ?? porque ela não existe. :)

Pense num dado de 6 faces. Pense em um jogo como War, o número de vezes que o dado se repete pra você numa noite, e o quanto incomoda quando você dá aquela lufada de azar e tira 1 durante três rodadas seguidas. :)

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