Untitled V

“Naquela manhã, ao acordar, olhou-se no espelho, como em todas as manhãs. Mas estava pálido, os olhos estavam fundos, se sentia fraco e derrotado. E, como uma peça pregada pelo destino, seu reflexo lhe sorria, um sorriso maroto, quase sarcástico.

– O que você quer? – Ele perguntou.

– Só lhe dizer uma coisa…

– …

– Se lembre, somente, que hoje é o primeiro dia do resto da sua vida.

E como se aquilo tivesse lhe revigorado, ele tomou para si o sorriso de seu reflexo, levantou a cabeça e entrou no banho. Agradecia em silêncio pela primeira vez ao seu reflexo. Estava se sentindo bem melhor.”

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